por Juscelino Souza, do A Tarde
A violência vem crescendo em Vitória da Conquista, localizada a 509 km de Salvador. O número de homicídios não é informado pela polícia, mas já está sendo registrada uma média de três assaltos diários a ônibus urbanos. Outras ocorrências que se tornaram comum são tiroteios em vias urbanas, seqüestros relâmpagos e execuções.
Na última semana, por exemplo, criminosos usaram pneus para atear fogo em dois homens cujos corpos foram encontrados em um matagal no bairro Vila Imperial. Dos nove postos policiais de bairro, apenas dois funcionam e ainda assim de maneira precária. A explicação oficial é falta de efetivo. Abandonados, eles viraram refúgio para usuários de drogas e bandidos. “O cotidiano de Conquista agora tem bandidos desfilando pelas ruas e cidadãos se trancando em casa atrás de grades e cercas eletrificadas”, reclama um empresário, cujo filho foi vítima de seqüestro relâmpago este ano. Debatida em sessões na Câmara de Vereadores e criticada por entidades não-governamentais, a violência tem atingido, inclusive, os profissionais dedicados a combatê-la. Redução – O policial militar Reginaldo dos Santos Dessa, 30 anos, foi morto há pouco mais de um mês quando tentava reprimir uma tentativa de assalto a uma lotérica. Uma das razões apontadas para o crescente índice de criminalidade no município é o reduzido efetivo do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM). São apenas 400 policiais para uma população de 308 mil habitantes. Excluídos os militares que estão de licença, em atividade administrativa ou nos destacamentos da jurisdição, sobram menos de 80 policiais efetivos para cada grupo de 100 mil conquistenses. O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários (Sincavir), Nilson Pinheiro, por sua vez, diz que uma das categorias mais afetadas pela violência é a dos taxistas. Sentindo-se vulneráveis, estes profissionais costumam fazer justiça com as próprias mãos, como em fevereiro, numa tentativa de linchamento de um bandido após a morte de um colega. “Cobramos mais investimentos em segurança, bem como aumento de efetivo policial”, listou Pinheiro. A violência preocupa também a representação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Conquista, que chegou a emitir nota lamentando o aumento dos índices de violência no município. No documento, a entidade exige do Estado “ações concretas no combate à violência” e repudiou a reação violenta da população contra criminosos, alegando que “só o respeito às leis será capaz de evitar que a barbárie se instale”. Para o presidente do Movimento Contra a Morte Prematura (MCMP), André Cairo, a solução para a violência existe quando há boa vontade das autoridades. “É preciso encontrar uma solução definitiva para que as pessoas parem de morrer antes do tempo”, afirmou. O subcomandante do 9º BPM, major Ricardo Medeiros, reconhece que a situação não é favorável, mas antecipa que o Batalhão deverá recrutar 140 novos policiais até dezembro, após a conclusão do curso de formação. “Não é ótimo, nem regular, mas é bom. Estamos apostando no aumento de viaturas e motocicletas em circulação pela cidade e em equipamentos tecnológicos para suprir determinados pontos. O centro da cidade está sendo vigiado por meio da central de videomonitoramento”, contou. Equipamentos – Os lojistas e comerciários aprovaram a idéia. “O comércio só tem a ganhar com isso, pois a falta de segurança inibe muita gente de ir ao centro ou até mesmo sair de casa”, opina o empresário Murilo Peixoto Amaral. O monitoramento da rede comercial e bancária ocorre todos os dias da semana, em sistema de 24 horas. Por meio de TVs de plasma de 42 polegadas, todas as ações são anotadas e gravadas. A integração é feita com a Companhia de Ações Especiais do Sudoeste e Gerais (Caesg) e Sistema Municipal de Trânsito (Simtrans), Ouvidoria da PM e Polícia Civil. A base do sistema fica no centro da cidade e é de lá que os operadores vigiam todos os pontos, com recursos que lhes permitem observar em 360 graus, com alcance e nitidez de até 600 metros de distância. Os dados apurados após a implantação do sistema mostram que ele é uma boa ferramenta. O comando do 9º BPM aponta uma redução na criminalidade de 73% no primeiro mês e de 79,2% no segundo mês de operação dos recursos. |
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